Cirurgia Metabólica para o Diabetes? O Papel do Endocrinologista.

Cirurgia Metabólica para o Diabetes? O Papel do Endocrinologista.

O novo Panorama Mundial do Diabetes apresentado no Congresso da IDF (International Diabetes Federation) nos dias 4 a 8 de dezembro em Abu Dhabi com a publicação da oitava edição do Atlas Mundial do Diabetes nos mostrou que caminhamos para um cenário assustador.

A explosão dos casos de diabetes no mundo nos leva a buscar ferramentas mais eficazes e seguras para controlar esta epidemia.

Atualmente 425 milhões de pessoas dos 20 aos 79 anos têm diabetes no mundo e estima-se que para 2045 sejam 629 milhões, um aumento de 48%.

O Brasil ocupa a quarta posição mundial na prevalência de diabetes, com 12,5 milhões de brasileiros acometidos por esta patologia. Para 2045 estima-se que 20,3 milhões de brasileiras sejam portadores de diabetes.

Nos últimos dias algumas matérias têm sido vinculadas na mídia (TVs, jornais e revistas) sobre a Cirurgia Metabólica para o tratamento do Diabetes.

Este é um tema muito delicado, entidades médicas especializadas nesta área como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica por mais de um ano participaram de discussões na câmara técnica do Conselho Federal de Medicina, em Brasília.

O assunto era a Cirurgia Metabólica em paciente com Diabetes mellitus e Índice de Massa Corpórea entre 30 e 35.

O Vice-presidente da SBEM Nacional e Presidente da Comissão Científica da SBEM Dr. Alexandre Hohl reforça que a SBEM não é contrária a  cirurgia, e acredita que existem pacientes que podem ser beneficiados com ela.

No comunicado da SBEM à imprensa é reforçado que existem poucos estudos científicos com pacientes exatamente dentro desse IMC, acompanhados por muito tempo.

O comunicado ainda se posiciona de maneira equilibrada e é cientificamente bem embasado, a seguir o restante do posicionamento:

“Isso levanta várias questões científicas e clínicas a respeito da indicação de cirurgia e o acompanhamento dos casos, especialmente o que fazer 5 ou 10 anos após o procedimento caso o resultado seja negativo.

Está claro que a indicação dessa cirurgia só poderia ser feita por um médico endocrinologista, que é o único especialista com conhecimento suficiente para tentar responder as perguntas que os trabalhos científicos ainda não responderam de maneira clara e precisa.

A cirurgia nunca deve ser indicada por um cirurgião que não tem conhecimento clínico na área do Diabetes Mellitus e só deveria ser realizada por cirurgiões muito experientes em cirurgia Bariátrica.

Outro ponto importante é que, tanto a cirurgia bariátrica quanto a cirurgia Metabólica não retiram a necessidade de dieta e atividade física como tratamento. Todo paciente precisa ser muito bem informado disto, pois se ele não adere ao tratamento clínico (não toma os medicamentos corretamente, não cuida da alimentação e não faz exercícios físicos), fazer uma cirurgia Metabólica simplesmente não resolverá a situação.

Além dessas questões científicas e clínicas, os custos também precisam ser discutidos. Faltam remédios no Sistema Único de Saúde para tratar Diabetes mellitus. Essa cirurgia será paga pelo SUS?

A SBEM acredita que é preciso ter medicamentos orais, injetáveis e insulinas de qualidade na rede pública de tratamento antes de ter cirurgia Metabólica no SUS. Isso, porque a maior parte dos pacientes com diabetes não terá indicação dessa cirurgia, mas precisará de remédios e insumos para tratar a doença.”

Existe um caminho longo para se percorrer, muitos questionamentos ainda estão sendo respondidos, a orientação do Endocrinologista é decisiva para determinar qual o melhor tratamento para cada indivíduo.

 

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