Contagem de Carboidratos

Contagem de Carboidratos

Imagine você acordar todos os dias e ter que fazer um cálculo complexo toda a vez que for se alimentar, e mesmo depois de todo este cálculo você ainda pode não ter certeza se ele vai dar certo. Pois bem, o paciente com Diabetes Tipo 1 (DM1) tem que fazer, todos os dias.

Não se admite tratar pacientes com DM1 sem orientá-los sobre a Contagem de Carboidratos (CHOs).

A Contagem de CHOs já é recomendada pelas Sociedades Científicas, no Brasil e no mundo, há mais de 20 anos – em especial, para o tratamento do DM1.

Essa estratégia se diferencia das demais, principalmente por melhorar a qualidade de vida e ofertar um leque de opções alimentares para as pessoas com diabetes.

O CHO, embora saudável, é o nutriente que tem maior efeito sobre a glicemia, já que a totalidade (100%) do que é ingerido transforma-se em glicose. Esta é a razão principal que o coloca como foco do nosso tratamento. Por outro lado, quanto à proteína, um valor entre 30% e 60% pode ser transformado em glicose e com relação a gordura, somente 10%. No entanto, proteínas e gorduras influenciam de maneira significativa todo estes processo de cálculo, o que veremos mais tarde.

Todo paciente com Diabetes pode utilizar a contagem de carboidratos como estratégia nutricional.

Trabalhando com isto há mais de 15 anos tudo é muito simples e automático para mim, mas para pacientes, familiares e até mesmo colegas é um processo muito trabalhoso.

Para facilitar criei o Minsulin, aplicativo para smartphone que oferece ao profissional de saúde, pacientes e familiares uma poderosa ferramenta para descomplicar este processo.

Mesmo assim alguns conceitos e conhecimentos são necessários para a correta aplicação desta técnica.

Quais são as fontes de CHOs?

Os CHOs Simples (sacarose, frutose e lactose) estão presentes no açúcar, doces, frutas, leite e iogurte, já o Complexos (amidos) nas massas, arroz, batatas, mandioca, farinhas, pães (amido).

Os CHOs simples (1 ou 2 moléculas de glicose) são moléculas menores que dispensam processos digestivos demorados, já os CHOs complexos (mais de 3 moléculas) como o amido, por exemplo, demandam digestão e quebra das moléculas para ficarem na forma simples e serem absorvidas.

Os CHOs são presença constante nas refeições do dia a dia, presentes nos pães, biscoitos, cereais, arroz, massas, batata, grãos, vegetais, frutas, sucos, leites, iogurtes, açúcar, mel e alimentos que contêm açúcar.

Quantidade x qualidade?

Até o momento, para a técnica de contagem de CHO o mais importante para a glicemia é a QUANTIDADE e não necessariamente a fonte, por exemplo: 1 maça = 1 copo de leite = 1 fatia de pão = 1 colher de sopa de açúcar = 15g de CHO. No entanto, alguns conceitos continuam sendo estudados e devem ser levados em consideração no momento das escolhas alimentares, para que estas seja mais SAUDÁVEIS. Vejamos alguns deles: O Índice Glicêmico – levando-se em consideração o índice glicêmico (IG) dos alimentos podemos ajudar no controle da glicemia. Toda vez que se ingere CHOs eles entram na corrente sanguínea com diferentes velocidades. O IG permite diferenciar os CHOs e classifica-los de acordo com a velocidade com que são absorvidos e entram no sangue. CHOs com baixo IG atingem a corrente sanguínea de forma lenta e contínua promovendo maior estabilidade da glicemia. Por isto, deve-se dar preferência aos alimentos com IG menor que 55. Ainda não sabemos como introduzir este conceito na fórmula de contagem de CHO, até mesmo se isto é necessário, mas estamos trabalhando nisto. A Carga Glicêmica – quando se considera tanto a quantidade de CHOs ingerida quanto o IG dos alimentos, têm-se o conceito de Carga Glicêmica. O tipo de alimento e a quantidade consumida é o que determina o quanto e quão rápido a glicemia se elevará. Ainda não sabemos como introduzir este conceito na fórmula de contagem de CHO, até mesmo se isto é necessário, mas estamos trabalhando nisto.

Efeito das Proteínas e Gorduras na Glicemia

Os macronutrientes, como geradores de energia, são as fontes exógenas de produção de glicose, dessa forma, influenciam diretamente a elevação da glicemia. Sabemos que os CHOs são os maiores determinantes da glicemia pós-prandial, mas em algumas situações precisamos também levar em consideração o teor de proteínas e gorduras de algumas refeições. As proteínas e as gorduras quando consumidas em excesso provocam hiperglicemia tardia (aumento da glicose sanguínea após as 2 primeiras horas). Estes nutrientes podem também afetar a absorção dos CHOs, retardando a elevação da glicemia. O efeito das proteínas na glicemia pode aparecer em torno de 3 a 5 horas, já o da gordura em torno de 5 horas após o seu consumo.

O cálculo da dose de insulina a ser aplicada a cada refeição pelo paciente com DM1 é um processo complexo que deve levar em consideração mais de uma dezena de fatores para que tenhamos um resultado mais próximo do ideal.

Como disse criamos o Minsulin com o objetivo de facilitar todo este  processo e melhorar a qualidade de vida dos pacientes e familiares.

Para saber mais sobre contagem de CHOs, baixe o aplicativo gratuitamente na Apple Store (em breve na Google Play Store) e nos ajustes clique em Como utilizar o Minsulin, também siga o Minsulin no facebook e acompanhem os vídeos explicativos que estarão no ar nas próximas semanas.

Um abraço a todos.

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